Diário de Bordo - Manoela Afonso (vol. 2)


votos de fim de ciclo!

 


mais um ano se vai.

mais um ano se aproxima.

ciclos se fecham.

ciclos se iniciam.

enquanto algumas coisas se acabam,

outras simplesmente permanecem.

outras mudam!


é com este pensamento que encerro um ciclo de 7 anos de Diário de Bordo.

no dia 29/12/2004 iniciei meus relatos na rede, quando ainda morava em Brasília.

bons amigos me acompanharam, alguns deles tive o prazer de conhecer pessoalmente.

hoje, 29/12/2011, em pleno ritmo de mudança, preparo-me para partir de Goiânia

e aproveito para encerrar as atividades deste blog.


são anseios por transformações: de vida, de ritmo, hábitos, modos de fazer e pensar.

o que permanece são os afetos. estes sim: potentes instauradores de lugares plenos de sentido.


um feliz 2012 para todos os amigos - próximos e distantes!

 

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fotografia: do trajeto goiânia > curitiba, passando por ourinhos/sp.

coletando mensagens da estrada durante a última rodotravessia antes de nos lançarmos ao velho continente. dezembro/2011.

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por enquanto o conteúdo dos 7 anos de Diário de Bordo estará disponível nos links abaixo:

Diário de Bordo - Vol 0

Diário de Bordo - Vol 1

Diário de Bordo - Vol 2

 

Em breve o conteúdo dos 3 volumes deste blog estará concentrado num lugar só...

para rememorar um ciclo, sempre que necessário.



Escrito por Manoela Afonso às 02h17
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the gate is open

sem dinheiro no bolso, mas livre para experimentar o mundo

 

 

i-photo: um dos portões do palácio de buckingham em julho/2011. lá vou eu.



Escrito por Manoela Afonso às 17h06
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para o alto e avante!

 

 

fotografia: em 16/05, goiânia. um dos gatinhos que abandonaram aqui em casa. e já escala. e já quer ir além.



Escrito por Manoela Afonso às 01h45
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pensando em movimento

 

 

monotipia. da série paisagens da dobra. três dessas gravuras impressas em vermelho participam da 5a. bienal nacional de gravura Olho Latino.



Escrito por Manoela Afonso às 15h09
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ainda ouvindo os artistas

Trechos da leitura que re.faço agora, do livro Arquivo Contemporâneo, organizado por Felipe Scovino. Parte 2.

"Acho que no fundo todo artista, o tempo todo, acorda a cada dia em busca do novo. De ir além. De alguma maneira ampliar a experiência que ele procurou condensar em trabalhos. A condição é produzir novos trabalhos que vão de alguma maneira tornando mais real esses sonhos diários, que são sinônimos de vida. Agora, não tenho a menor ideia de como isso pode ocorrer e não tenho nem certeza quando ocorrerá, mas espero sinceramente que o novo tenha seu lugar." Cildo Meireles, p. 128.

"E, curiosamente, escrevi um texto em 1986 que dizia que 'o vazio é o cheio e o cheio é o vazio', porque quando um objeto ocupa um espaço, este lugar onde está o objeto está vazio de espaço. Quando você retira esse objeto, ele se enche de espaço novamente." Ernesto Neto, p. 166

"Vejo até que existe uma exigência de que a arte deva se responsabilizar por dar sentido a este estado trágico, ou que, geopoliticamente, fôssemos obrigados a ter uma visão única de cada realidade. Sinceramente acho que o artista deve manter pelo menos um dedo na inocência para ter a possibilidade de transcender a realidade, injetando doses de fantasia. Sinto como se hoje necessitássemos de uma dose cavalar de fantasia para suportar, sublimar e tranasformar a realidade." Ernesto Neto, p. 168.

"Quando você está fora do contrato social e da objetividade do mundo, a única coisa que sobra é a sua subjetividade. E não existe nada mais subjetivo que o corpo." Ernesto Neto, p. 172.



Escrito por Manoela Afonso às 13h36
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ouvindo os artistas

Trechos da leitura que re.faço agora, do livro Arquivo Contemporâneo, organizado por Felipe Scovino.

"Naquele momento, portanto, o discurso constitui-se como passagens e questionamentos colocados aos artistas a respeito de interpretações da crítica de arte internacional sobre a produção contemporânea das artes visuais brasileiras. Por que ainda somos o povo exótico que ri da sua própria desgraça ao mesmo tempo em que somos súditos de um reinado de caipirinhas, mulatas, sexo, samba e malandragem?" Felipe Scovino, p. 11

"Na arte, tratava-se de uma outra forma de indagação sobre a natureza, significado e função do objeto de arte. Artistas brasileiros não só compreenderão estes questionamentos, como precisarão lidar com eles de modo complexo. Estes processos já em curso se darão em parte através do uso e da apropriação de modelos de conhecimento anteriormente considerados alheios à arte. Modelos na sua maioria vinculados às chamadas ciências sociais, cujos sistemas e métodos foram introduzidos nas artes plásticas. O pensamento e a ação artística se integram numa atitude de interdisciplinaridade." Anna Bella Geiger, p.19

"Meus filmes e trabalhos fotográficos podem ser pensados de acordo com uma metáfora que criei: se você pensar a realidade como a superfície de um lago, existem três maneiras de se relacionar com ele. Você pode sentar no barranco e ficar contemplando a realidade (...). Uma segunda maneira de você se relacionar com esse lago é você lançar uma pedra na água, uma pedra enquanto conceito, proposição. Este dispositivo, portanto, causará uma reverberação na superfície do lago-realidade. (...) Finalmente, há a terceira maneira de se relacionar que é você se lançar ao lago." Cao Guimarães, p. 45.

"Tem um provérbio japonês, de Daisetz Teitaro Suzuki, que li via John Cage, que reflete este pensamento: 'Antes de estudar zen, um homem é um homem e uma árvore é uma árvore. Ao estudar zen, um homem é uma árvore e uma árvore é um homem. Após estudar zen, um homem é um homem e uma árvore é uma árvore, só que você está com os pés um pouco acima do chão'." Cao Guimarães, p. 47.

"Ademais, não existe uma receita para a ideia. É um fenômeno que simplesmente acontece, sendo instigado pela forma que você habita, observa e se relaciona com o mundo." Cao Guimarães, p. 53.

"Eu não acredito que a academia de arte produza artistas. Mas bons professores incentivam bons alunos. É notória a influência de professores como Joseph Beuys e Bernd Becher, na Academia de Düsseldorf, tiveram na formação de seus alunos. Pessoas que se tornaram conscientes da responsabilidade da liberdade de ser artista. Nem sempre é possível ter bons professores. Quando fui ensinar na Staaliche Akademie der Bildenden Künste de Karlsruhe, os alunos da minha classe ficaram surpresos quando comecei a chamar um a um para uma conversa sobre o que faziam ou queriam fazer. Mesmo que já estava estudando há três anos dizia que nunca havia tido uma conversa direta com o professor. A maior parte dos alunos era absolutamente ignorante da produção artística dos últimos 50 anos. E alguns sabiam que artistas como Jeff Koons ganhavam muito dinheiro, vendo nisso um objetivo para fazer arte." Antonio Dias, p. 60.

"A construção de uma obra é um problema do artista, ele precisa dar continuidade ao seu pensamento e às suas intuições, gerando no tempo de sua atuação um corpo cujo componente subjetivo não tem a ideia de progresso ou função como base." Antonio Dias, p. 62.

 "O mercado é mercado e vende tudo o que for vendável. Galerias e clientes mudam de orientação de uma hora para outra, se algum período artístico não estiver mais produzindo dinheiro. Ou se a procura for outra. Quarenta anos atrás eu escutei do meu galerista que não deveria mais produzir escultura porque uma tela era mais rentável. Eu saí da galeria e fui produzir o meu trabalho. É aí que você aprende que se o mercado faz sua parte, você também tem que fazer a sua." Antonio Dias, p. 64.

"Hoje considero o mercado de arte não só compra e venda de obras de arte, mas lecionar um curso sobre arte, conceder uma palestra, escrever um texto... Tudo isso é mercado de arte porque estou sendo pago por este trabalho. Percebo que fui construindo meu percurso como artista como uma forma de investigar um tipo de artista possível que não fosse apenas o artista voltado para esta compra e vendas de obras." Ricardo Basbaum, p. 74

"Então, atualmente, me vejo mergulhado nesse tipo de problema: o artista dentro e fora da universidade. Reflito sobre situações tais como: o artista como pesquisador; trazer o circuito para dentro da universidade; levar a universidade para fora; não ficar preso em nenhum desses mundos. O meu trabalho tem essa investigação e agrega elementos para constituir uma autonomia possível desse lugar. Autonomia não significa ser arredio ao mercado ou ao jogo econômico, mas poder negociar isso com outra referência. Vejo-me exatamente nesse momento tentando constituir uma ligação com o mercado que não signifique abrir mão dessa autonomia que conquistei com o trabalho. É uma situação bem complexa, porque o mercado coloca uma demanda de produção que, na maneira como eu trabalho, não existe." Ricardo Basbaum, p. 75.

 "E mais, é criar um novo mundo para que novas ideias possam acontecer." Waltercio Caldas, p. 99

"Mas a arte é exatamente esse desconhecido, esse desafio, e isto é um problema para muitos. Creio que o artista tem como tarefa melhorar a qualidade do desconhecido. Duchamp chegava mesmo a dizer que a obra de arte é o resultado da relação entre o que se quer realizar e o que acabamos realizando. Quase um acaso entre o que você quer fazer e não consegue, e o que você acaba fazendo, mas não pensou. Às vezes, um artista faz algo tão inesperado, que queremos saber se fez aquilo por vontade própria ou por outro motivo qualquer. E é este 'outro motivo qualquer' que abre portas inesperadas." Waltercio Caldas, p. 100

 



Escrito por Manoela Afonso às 11h09
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